Input Exportação
Sebastião & Manuel, Lda
Da Alfaiataria à Exportação em 50 Anos de Sebastião & Manuel
O concelho de Penafiel é desde cedo referência na confeção de vestuário. Os alfaiates da região concentravam-se há várias décadas no concelho e em 1972, dois irmãos, Sebastião e Manuel Ribeiro, juntavam-se para dar início ao que hoje em dia é uma das maiores empresas exportadoras de Penafiel.
Da produção de casacos de alfaiataria para a produção em série, saem de Santa Marta, em Penafiel, milhares de casacos de homem para variadas marcas conceituadas no mundo.
Se em 1972 eram apenas os dois irmãos a confecionar os casacos, a evolução da empresa fez com que muitas outras costureiras agarrassem a oportunidade e estejam há mais de 40 anos a trabalhar na empresa. A Sebastião & Manuel, Lda (Sebastião & Manuel) é já uma empresa que junta gerações: mãe, pai e filhos.
Se inicialmente a admissão de colaboradores rondava as dezenas, a partir de 1985 aquando da adesão de Portugal à União Europeia e a exportação passou a ser o foco da indústria, a empresa cresce passando a ter mais de uma centena de costureiras a produzir casacos para, maioritariamente, toda a Europa. Atualmente, são duas centenas e meia de pessoas que diariamente dão conta de inúmeras encomendas. O mercado externo equivale a 95% do trabalho diário, sendo que 90% dessa produção está direcionada para o mercado europeu.
A Sebastião & Manuel atingiu o pico de exportação em 2019 com uma faturação que ascende a 12 milhões de euros, sendo afetada, como em todo o mundo, pela pandemia em 2020, vendo uma redução de 40% na produção e consequente exportação. Faltaram matérias-primas, transportes e mão de obra que foi atingida pela COVID-19. Foram três meses onde o mecanismo do Lay-off foi a salvação de um problema nunca antes visto na empresa. Já em 2022 a recuperação é evidente e o volume de negócios aproxima-se ao valor atingido em 2019, pico da exportação desta indústria penafidelense.
Rui Barbosa, diretor financeiro da empresa, falou com a revista #Input e assumiu “um período difícil de gerir na empresa com a pandemia uma vez que afetou toda a estrutura por via externa. Isto é, não dependia de nós a resolução. A crise que chegava repentinamente não dependia da gestão, da falta de encomendas, mas de vários fatores incontroláveis”. Para o diretor financeiro “apesar de ainda haver condicionantes, estamos já a atingir o ritmo de produção pré pandémico o que nos ajuda a crescer, de novo”.
Em 50 anos de existência da empresa, a celebrar em 31 de julho próximo, o crescimento foi sempre “constante” e o investimento para acompanhar esse crescimento “é contínuo. Não podemos crescer sem investimento e numa área como o têxtil apesar da tecnologia nos ajudar, a verdade é que o nosso crescimento vive muito da formação da mão de obra. E é aqui que nos deparamos com obstáculos”, justifica Rui Barbosa que considera ser “muito importante apostar na formação de jovens e adultos para as áreas industriais que a região tem. Não podemos aumentar a nossa produção porque não temos mão de obra, nem qualificada nem por qualificar”.
O diretor financeiro acrescenta, ainda, que para além da qualificação, a indústria tem de acompanhar o crescimento de nível de vida, ou seja, “é preciso aumentar os salários, tornar a área apelativa. Mas é também necessário que esses aumentos sejam acompanhados de apoios do estado às empresas. Andamos há vários anos a falar de aumentos, mas sem fazer uma análise aprofundada para que esses aumentos sejam reais e não prejudiquem as empresas. Os aumentos a par da inflação não se tornam reais na vida das pessoas”.
Neste sentido, Rui Barbosa afirma que “a Associação Empresarial de Penafiel tem contribuído para o crescimento do tecido empresarial do concelho, quer pela formação de jovens e adultos, quer pelos constantes alertas e pressões que faz chegar ao governo e entidades. Lisboa está muito longe para perceber as verdadeiras necessidades da região, precisamos desse constante apoio da AEP”, conclui.
A Sebastião & Manuel assinala, em 2022, os 50 anos de existência, reunindo várias conquistas, nomeadamente, as certificações ao longo dos anos que lhes confere “qualidade”. Sendo a exportação muito exigente, conquistar selos de qualidade é importante para continuar o crescimento e a confiança dos clientes.
“Um trajeto de 50 anos é o resultado de uma visão, de uma ambição e, sobretudo, de muito trabalho e dedicação quer dos criadores da empresa, quer de todos nós e colaboradores da Sebastião & Manuel”.
Aos comandos de gestores com uma visão empresarial mais desafiadora, a Sebastião & Manuel acompanha, de alguma forma, a evolução do país e pretende, tal como há 50 anos, continuar a “criar novos conceitos e produtos onde a qualidade da confeção seja o elemento diferenciador e, assim, conquistar novos mercados”.